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Luciano Flávio da Silva Leonídeo, 17 anos, participante do Projeto Santo Amaro, PE

"Antes de eu entrar no Educação pelo Esporte, eu era aquele menino descarretado, não fazia absolutamente nada. Queria entrar na natação, no Programa, porque tinha crise de asma e as aulas eram de graça. Mas só tinha vaga para o judô. Eu não queria fazer. Meus pais disseram: "você vai"! Fui praticamente obrigado. Hoje eu não saio do judô por nada. Lá eu conheci um menino que estava com uma flautinha. Eu ficava babando quando ele tocava e resolvi aprender. Foi uma bola de neve. No ano passado, o Programa me chamou pra dar aula de flauta. Eu tinha 16 anos. Também comecei a dar aula numa escola da prefeitura. Na hora que eu ensinava, cada vez aparecia mais menino e a gente formou um grupo. Nos apresentamos na festa de São João, no Natal. Tocávamos frevo, maracatu, ciranda

Em novembro de 2002, gravamos um CD com cinco músicas num estúdio de ensaio. Uma coisinha ao vivo. Gravamos Noite Feliz em ritmo de baião, Boas Festas em ritmo de frevo, So this is Christmas, do John Lenon, em ritmo de maracatu. Fizemos cem unidades para vender e conseguir recursos para a compra de mais instrumento para a escola que funciona no Programa – antes eram quatro flautas para vinte meninos.

Tem uma historinha que aprendi na aula de judô que hoje mesmo eu estava contando para as crianças. O resumo da história é que nunca se deve perder as pedras preciosas que aparecem na nossa vida. Se meus pais não tivessem me obrigado a entrar no judô, o que eu estaria fazendo agora? Poderia tá muito bem em casa. Mas poderia não estar. Hoje eu sei selecionar o que vai ser útil pra mim. Mas antes eu não sabia.

Eu não tinha amigo nenhum. No Programa, começou a crescer foi gente a minha volta. Graças a Deus, as minhas oportunidades eu não perdi. Tudo o que eu aprendo aqui eu levo pra casa. As dificuldades que eu tenho com algumas crianças eu conto lá. Minha mãe, que tem muito mais experiência do que eu, diz: "faça isso, faço aquilo". Não só eu me fortaleço como também a minha família.

Antes de ser monitor, eu já pensava que um dia eu ia ensinar no Programa o que eu aprendi, distribuir o que me deram. Só não pensava que ia ser tão cedo.

Este ano estou fazendo pré-vestibular para Música. Meus pais procuraram o Programa porque não tinham recursos para pagar uma aula de natação. Eu ia morrer de asma e não tinha onde nadar. Hoje estou curado e descobri a música, que eu carrego para onde eu vou. Quando toco flauta no exame de faixa do judô, o pessoal começou a chorar..."


 

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