Josiane Affonso de Freitas, 27 anos, educadora do Projeto Alegria – Vila São Luiz – RJ
“Meu nome é Josiane, sou estudante do 7° período do curso de Pedagogia. Conheci o Projeto há um ano. Antes, não tive uma experiência muito agradável na área da educação. Desisti de lecionar e fiquei um ano parada e quando estava a ponto de desistir da educação e partir para outra área, cheguei à universidade mais cedo e me deparei com um cartaz anunciando seleção de bolsistas para o Projeto Alegria. A primeira coisa que pensei foi: “estou mesmo precisando de um pouco de alegria em minha vida!”. Foi então que vi as crianças saírem alegres e eufóricas. Comecei a perguntar sobre o Projeto e me interessei. Sempre fui uma pessoa muito insegura e cheguei a pensar que não conseguiria, já que era algo totalmente novo, mesmo assim, me encantei com a proposta do Projeto e que talvez desse certo. No dia da seleção, cheguei a hesitar na hora de entrar na sala, minhas pernas bambearam, tremi na base, mas resolvi encarar esse desafio. Fiquei profundamente emocionada quando fui escolhida, mas as dúvidas e inquietações voltaram. Quando entrei na sala, eles eram extremamente curiosos, pareciam que iam me engolir com os olhos... pensei comigo: “Olhos ávidos de curiosidade são excelentes aprendizes...” E os meus olhos estavam assim como os deles.
Foi aí que surgiu nossa relação de amizade. No final do dia, tive uma sensação que nunca tinha experimentado antes, não aquela simples sensação de dever cumprido, mas a sensação de uma conquista, quase uma vitória. Para muitos pode parecer pequena, mas para quem costuma colocar a alma no que faz, é como um “tudo ou nada”.
Ensinei e aprendi muita coisa no Projeto: crianças, educadores, coordenadores, aprendi com todos. Tive a oportunidade de vivenciar todos os sentimentos que afloram nas relações sociais e mais importante é que tive as minhas emoções respeitadas: o Projeto foi mais que uma família.
Eu realmente senti que as pessoas se preocuparam comigo, me ajudaram, me incentivaram, me apoiaram...
No Projeto, nunca tive minhas idéias rejeitadas, nunca tive minhas emoções reprimidas, ao contrário, o Projeto foi a válvula de escape para tanto medo, desejo, carinho, ansiedade. Posso dizer, sem medo de errar, que pintei e bordei no Projeto: dancei, atuei, brinquei, cantei, amei e se a vida é realmente um palco, como dizia Shakespeare, digo que o Projeto foi o melhor palco que já atuei e que todos foram os melhores companheiros que já tive.
Hoje, me sinto mais segura e não penso nunca mais em abandonar a área da Educação! Descobri que ainda existem espaços em que idéias novas são valorizadas. Estou muito mais feliz e segura na minha prática educativa e sinto que posso fazer qualquer coisa, e para onde eu for vou levar no meu coração a alegria que me deram nos dias em que estive aqui. A todos, o meu obrigada!”