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Roberta Canejo MonteiroJosé Ricardo dos Prazeres Filho, 11 anos, educando – Projeto Alegria Vila São Luiz – RJ

“Eu entrei no Projeto 4 anos atrás. Antes, eu ficava à toa, nada me motivava, ficava jogando bolinha de papel na parede para passar o tempo. Daí, minha mãe ficou sabendo do Projeto e quando ela falou que tinha me matriculado, eu fiquei meio desconfiado sem saber se iria gostar...
Quando cheguei ao Projeto, percebi que era um lugar diferente porque as pessoas ficavam perto de mim sem ser por “interesse” como é na escola onde algumas pessoas ficam perto dos que acham que são “bonzãos” para se dar bem na prova. Aqui é diferente... as pessoas gostam de mim pelo o que eu sou... não pelo que eu sei fazer. Eu percebo na fala das pessoas, no olhar, que elas gostam de mim.
Minha mãe agora tem orgulho de mim. Antes, eu era muito bagunceiro em casa, respondia a minha mãe, cheguei até a dizer que ela não era mais a minha mãe. No Projeto eu aprendi que briga não leva a nada, só traz mais confusão e machucados. Agora, todo dia eu chego em casa abraço, beijo a minha mãe, ajudo nas tarefas.
Em casa minha mãe sempre falava “respeita o próximo”, mas eu não entendia... dizia só: “tá bom!” Aqui, eu comecei a entender o que isso realmente significa. Eu aprendi o que é respeito... aprendi através de uma brincadeira que os professores fizeram com as crianças... depois eu vi que não era só uma brincadeira, mas um aprendizado. Eu percebi que brigar não levava a nada. E isso eu levei para a escola. Os professores lá perguntam onde eu aprendi isso: eu digo que foi no Projeto Alegria. Eu sinto orgulho de dizer isso! Eu acho o Projeto o melhor lugar que eu já fui porque o aprendizado aqui é diferente: é brincando que se aprende, não tem que fazer prova para provar isso.
Quando eu entrei no Projeto, eu comecei a ter mais sabedoria, a pensar antes de fazer as coisas porque os professores sempre me ensinam a fazer isso. Os professores são muito carinhosos, a gente percebe isso no jeito que eles dizem o que é certo e o que é errado. A forma como eles dizem isso é muito importante porque a gente fica feliz depois de conversar com eles.
O meu sonho é ser professor do Projeto Alegria porque da mesma forma como os professores ensinaram para mim, eu quero ensinar para os outros. Quero ensinar tudo o que estou aprendendo porque eu acho que as pessoas precisam saber disso para não cometer o erro de estragar a vida delas e da família. Dizem que uma pessoa pode fazer a diferença no mundo, então eu quero fazer a diferença sendo professor do Projeto Alegria. O meu primeiro passo é ser monitor-mirim do Projeto e depois fazer faculdade na UERJ onde eu faço Projeto. Eu olho para a faculdade e me imagino sendo professor de Projeto. Eu aprendi que se eu batalhar muito assim como o Ayrton Senna batalhou nas pistas, eu vou conseguir.”